terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

. esbarrando em Caetano .

Eu sou anti paga pau, mas tenho que confessar: paguei pau pro Caetano.

Há um tempo atrás, fui numa festa ( Baile Esquema Novo, recomendo), cheia de gente, música alta, era o primeiro baile, quando alguém falou: o Caetano está aí, tititata, coisa e tal. Ainda não tinha visto e fui ao banheiro, que estava incrivelmente vazio. Lá estava eu, me olhando no espelho quando a porta se abriu: Caetano, que manhosamente me perguntou: esse banheiro, é de menino ou de menina? Não me amarra dinheiro não, você foi mó rata comigo, i am alive, rio, eu quero suas meninas, lua de são jorge, puta que pariu Caetano como você escreve bem, respondi: de menino e de menina. Ele sorriu e seguiu para uma cabine total flex.
Saí do banheiro pensando, porra, nem agradeci ao Caetano pelo Transa.

Muito tempo depois, estava em outra festa ( Nave, recomendo), cheia de gente, música alta, quando alguém falou: O Caetano está aí tititata, coisa e tal. Dessa vez, encontrei ele sentadinho num canto, todo miudinho, cochichando no ouvido de alguém. Pensei, vou lá falar com ele. E fui. Dei uma batidinha no ouvido dele e larguei: Caetano, quero lhe agradecer pelo Transa ( quem não conhece, ouça urgentemente!), me faz muito feliz, e aos meus amigos também. Ele: obrigada, sorrindo, eu também gosto muito do Transa, fico feliz em saber. Sorrimos um ao outro e fui embora.

Tietei mesmo, confesso. Mas fazer o quê, se o cara é genial mesmo? Agora, tô na expectativa de encontrar o Gabriel Garcia Márquez para dar um beijo nele ( sim, ele merece mais tietação) por Cem Anos de Solidão e O Amor nos tempos do cólera.

(Vai ser mais difícil, Garcia Márquez não tem cara de frequentador de festa indie).

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. Frevo sonhando com queijo .

Passei o carnaval no Recife, como de costume. Desta vez, levei meu namorado a tiracolo. No Recife, os confetes caem do céu logo após do Natal e mesmo com o término oficial da folia, tem um monte de ressaca, de comemorações, de forma que ou se cai no frevo ou seu destino é ser um exilado vítima da ditadura de momo.

Bem, chegamos, nos instalamos e fomos conferir o Recife Antigo, um monte de gente na rua, um tanto de troças tocando frevo e maracatu, expressões felizes de quem esperou por este momento por toda uma vida. Nós pulamos, forçamos um astral carnavalis, mas não adiantou: no dia seguinte, sexta-feira, ignoramos a abertura oficial do carnaval e fomos pro boteco mais próximo tomar cerveja e comer queijo coalho. Pairava no ar algo do tipo, ih, erramos o destino, mas tudo bem. Com muito esforço, fomos para Olinda no dia seguinte, mas, definitivamente, nosso espírito estava mais para um cantinho, um violão do que para um frevinho, pegação. Chegamos arrasados e concluímos que deveríamos ter ido era para Minas, comer queijo, tomar banho de cachoeira, pegar algumas festinhas nortunas e só. Nossa folia estava pedindo arrêgo, literalmente.

No entanto, soubemos nos divertir sim. Para nossa sorte, o carnaval de Recife é bem tranquilo, com vários pontos de refugio e com o Recbeat, onde se pode ouvir coisas diferentes e nada carnavalescas: ouvi o Móveis Coloniais de Acaju e adorei, bem dançante, divertido, pra cima, com direito a banho de chuva e rodinha coletiva. Ouvi o Pato Fu (que foi legal, não tanto por eu estar doente em razão da chuva dos Móveis), Lucy and the Popsonics (que eu não gostei, show fraco e com as pessoas reclamando), uma orquestra argentina tocando tango, muito boa, mas inapropriada para o carnaval (estar sentado ia cair bem). Também foi massa o show de Lenine ( apesar de eu não gostar muito) e Milton Nascimento será sempre Milton Nascimento (ó, Minas Gerais!). O pós carnaval nos rendeu banho de mar em Porto de Galinhas (não recomendo) e Maracaípe, idas aos Museus dos primos Brennand e à casa de Gilberto Freyre, cervejinha no antigo e gastação de tempo com um jogo de palavras cruzadas.

No mais, Recife sempre será Recife, e eu sempre vou querer voltar ( mas não antes de ir em Minas, São Paulo, Pará,...).

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